Quarta, 25 de Dezembro de 2019

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Educação e Globalização
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Educação e Globalização
14 de Junho
Bernard Charlot




 

Conferência no âmbito do ciclo de conferências “Temas de Educação”, organizado pela Unidade de I&D de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, a realizar nas instalações da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa.

Educação e Globalização
14 de Junho
Bernard Charlot
Universidade de Paris 8
Universidade Federal de Sergipe
Moderador: Rui Canário
Universidade de Lisboa

Ao levantar a questão dos efeitos da globalização sobre a educação e a escola, deve-se evitar a dupla armadilha do hino à Inovação e da denúncia da diabólica Globalização. É preciso não esquecer os países onde muitas crianças ainda não beneficiam da escola, sob qualquer forma que seja. Além disso, o objeto “escola” é plural. Remete a um espaço pedagógico, a uma instituição social, a uma estrutura onde são reunidos os jovens, a um lugar de trabalho e a escola não muda no mesmo ritmo sob todos esses pontos de vista. Portanto, cabe analisar as evoluções da escola situando-a no seu contexto econômico, social e cultural, contexto esse que é permeado por contradições e tensões.
A primeira mutação importante aconteceu antes da globalização, nas décadas de 60 e 70. A escola passou a ser considerada, antes de tudo, um instrumento de desenvolvimento econômico e uma oportunidade de ascensão social, o que transformou toda a problemática escolar. A forma escolar, entretanto, bem como os conteúdos ensinados e as formas de avaliação pouco mudaram.
A partir da década de 80, impõem-se aos poucos novas lógicas econômicas e sociais, resumidas pela palavra “globalização”, o que acelerou evoluções originadas no período anterior e iniciou outras: exigências de qualidade, de eficácia, de diversificação, individualização e autonomia, mas também exacerbação da concorrência entre as escolas e entre os alunos, violências escolares de vários tipos, dificuldades em resolver os problemas relacionados com as migrações internacionais, etc. Mudou a gestão das escolas, transformou-se a relação pedagógica, apareceram novos recursos pedagógicos, em especial o computador e a Internet. Mas ainda permanecem as estruturas fundamentais da forma escolar organizada nos séculos XVI e XVII.
Hoje em dia está se perfilando a possibilidade de uma globalização da própria escola, na lógica neoliberal do mercado. No entanto, outras possibilidades se esboçam através dos Objetivos do Milenário. Será difícil que a escola continue a ser a mesma, mas o seu futuro está ainda em aberto.